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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Que Carrego na Alma

Mais um ano acabando. Ao entrar em dezembro começo a ficar mais e mais sensível e pensativa. E como de costume meio calada. Um mês que celebra a vida, o nascimento. Só que eu só consigo sentir saudade e melancolia. Aquela tristeza da qual a perda e a falta, causam. Foram embora tantos. E muitos, tão precocemente. Tenho uma tendência a sentir-me assim como estou hoje. Vazia. Um vazio que chega a doer no peito. Deixando aquela coisa apertada entre os meus seios. É tão profundo que acho que é na alma e não no coração. Fica tão visível que meus olhos me delatam. Parece aquele sentimento de que nos abraça quando estamos em velório de alguém que gostamos, admiramos.
Escrever fica numa distância impressionante, pois eu não coordeno as ideias. Observo p ter inspiração, mas assim nada vejo e portando não enxergo nada além da eufória das pessoas em comprar presentes. Coisa que não ligo muito. Certa vez, ganhei de meu filho uma pedrinha. Uma pedra branca, tipo seixo. Fui buscá-lo no aeroporto e ele ansioso por me abraçar, pois ficou um mês viajando c minha mãe para Belo Horizonte, correu e engateaou por baixo da corda de proteção e veio até a mim. Coisa mais gostosa da vida aquele abraço. Eu o enchi de beijos e o coloquei no colo (hj ele tem 1,81m). De repente ele coloca a mão no bolso e me entrega a pedra.Seus olhos brilhavam porque aquilo foi um achado. Uma coisa tão linda e especial que ele guardou c tanto esmero quase o mês todo até o dia em que pode me presentear. Este foi um dos presentes mais lindos que ganhei na vida. Até hj fica junto a caixinha de jóias e de vez enquando eu dou um beijo nela.
Assim, começaram a ter esses presentes. Achados e escolhidos com atenção, carinho e amor. Já ganhei cinco petecas/bolas de gude, guardanapos com eu te amo, véa linda...uma séria de coisas que somente crianças reconhecem o valor. Aqueles bilhetinhos escritos errados, esquecendo o acento de meu nome....ahhh que lindo era ganhar essas coisas.
Mas os filhos crescem e passam a ser adultos e se inserem nessa coisa que é o Natal. Uma coisa comercial. Onde tudo fica pela hora da morte. Ganhei ano passado um notebook, pq viajo muito e o PC não pode ir comigo. Enfim, veio sem cartinha, veio sem cartão...o que pra mim, seria o mais valiozo. Confesso que me deu uma certa frustração, mas entendo. Sei que foi de coração. Apenas não queria que eles perdessem aquela coisa do especial, do que faz a alma vibrar, do simples mesmo!!!
Parei de dar presentes para os meus filhos mais velhos. Eles preferem o dinheiro. Também já não sei escolher roupas, acessórios....essas coisas só mesmo as namoradas é que sabem. Mas meu abraço e beijos e lágrimas os enchem de certeza de enquanto vida eu tiver, serei deles para todos os momentos. Sabem eles, que mesmo quando eles estão errados. Com brigas com alegrias até que a vida permita a nossa convivência.
Tenho um amor pela vida tão grande e pelas pessoas queridas que estão em meu coração que nada me impressiona mais do que termos saúde e vida de viver. Cada um na sua luta do dia a dia, em suas batalhas. Uns dias com ganhos outros com perdas. Assim, mesmo, como a vida vai se appresentando para todos nós. Então, essa coisa de dezembro, esse ar de preocupação em presentear, em se endividar, não me dá tesão em nenhum aspecto.
Há o pai de uma amiga/prima/irmã que está internado com câncer. Descobriu um dia desses. Um cara sensacional. Minha infância foi maravilhosa e ele tem uma grande parcela nisso. Um paizão, como ele mesmo se sente em relação a mim. Isso me dói tanto e eu não consigo ir ao hospital, mas ligo todos os dias pra saber como estão as coisas, resultados dos exames, alimentação...essas coisas. Fiquei feliz qd eu soube que estavam conversando sobre meu jeito de ser, meus micos e loucuras que cometo por ser meio dramática. Disseram-me que ele riu muito. Achei o máximo!!
Só queria por este Natal que ele, Zé Afrânio, tivesse sua saúde de volta, porque a gente ama sentar e conversar, passar o dia lembrando de coisas legais, sabendo de novidades, viajar para Salvador e fazer nossos churrascos na casa da minha amiga, filha dele, Vanessa. Crescemos e hoje temos nossos núcleos, mas continuamos aquelas meninas que riem com facilidade e trocam confidências e que temos muito carinho e amor, pois somos uma família só. Juntamos os nossos núcleos num laço eterno de amor, trocas e consideração.
Dezembro me dá essa coisa, mas sei que a cada ano, mais e mais as pessoas vão ficando mais importantes pra mim. É isso que carrego na alma.

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