E por mais que ele peça um "tico" de confiança, ela jamais conseguirá dar. Não se emenda vidro quebrado. As falhas ficam aparentes. Ausências não são preenchidas com a força do pensamento, mas com a presença demonstrada. Pode até nem ser física.
Ela nem consegue distinguir se ele é desleixado, desatencioso, idiota, doido, ou sacana, mesmo!! Diabo de personalidade doida!!
Como se pode viver tanto tempo com alguém e não conseguir decifrá-lo?
Ao mesmo tempo em que parece perdê-la, ele a tem. Uma dicotomia impressionante. Tipo corpo/alma.
E são tão diferentes que há entre eles um canyon. Coisa natural. Nada imposto. Ele pulou para um lado e não pôde voltar, então ficam lá e cá. Num vazio/dor que suportam. Embora nada fácil.
O que parece é que criaram um mundo de dois. Com pessoas ao redor e vida sendo vivida. É meio doido de se entender.
Têm algo faltando, como também sobrando. Conseguem parceiria, por incrível que isso pareça.
Pode ser que estejam acomodados, mas se amam. Como se amam? Eles não sabem!!!
Têm umas frases no outdoor do Detran que diz: " Na dúvida não atravesse ou é ultrapasse" uma coisa assim. E vão ficando nessa. Jamais avançam. Parece até covardia, como também prudência.
Se juntos brigam, longe saudade, como na música, algo há de verdadeiro nessa coisa que não tem nada convencional.
É tudo tão complexo como esse texto. Complicado não é, já que os dois levam esse jeito muito estranho de ser.
Todo dia parece ser dia qualquer. Não há datas. Não comemoram nada. Passam vários setembros e nunca lembram da data do casamento. Ela por sua vez, acabou de lembrar. Um absurdo. A origem de tudo tem tanta importância que o homem nunca termina a busca de saber de onde viemos.
O fato é que já passou um "bocado" de tempo. Não dá vontade de pensar no que não seria. Isso dá trabalho e ansiedade. Cada um cuidando de suas obrigações e deveres, os direitos vão deixando passar. Se cobram e brigam, caso sintam-se ameaçados. Mas que coisa louca!!! E assim ela percebe que não há desapego. Talvez confiança exagerada de não chegarem a ver o fim antes do fim de cada um. Alguém disse:" tanto erra quem confia de mais, como quem confia de menos". Ela não sabe de quem é a frase, mas concorda!!
Não se pode deixar de pensar em terceiros. Nos penetras que podem vir surgindo. Vai que um gosta da festa e fica? Há um risco, então. Fidelidade/Lealdade o que pertence aos dois?
Parece que seria inútil tentar entrar no mundo deles. Por mais que a tempestada demore a passar, os dois estão sempre lá. Sentados na mureta da vida, observando a passagem do redemoinho carregando o que não adianta entender.
É vida que segue.
Valéria Hidd
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