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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

FIM

Escrever é como conversar sozinha e saber que outras pessoas irão ter acesso. Tenho exatamente uma hora livre o que traz uma certa ansiedade. Começo, meio e fim não são fáceis de concluir com tempo marcado. Sinto-me como se estivesse sendo avaliada, observada por alguém que espera receber a minha prova. Coisa que quando eu fui estudante, jamais consegui me adaptar. Nunca gostei! Tive umas prioridades a dar mais importância e quando pude voltar a faculdade imeginei sendo condicionada a professores e alunos. O tempo passa para essas coisas. A paciência não é a mesma. Muito menos a humildade do Ser aluno. Não a tenho mais, embora tenha respeito pela figura altamente importante dos professores.
Sou fã número um de quem tem a vida na ordem, seguindo todas as fases com bastante esmero e dedicação. Mas entendo que cada um tem sua história. E são bonitas todas elas. Admiro-me, como admiro um senhor do campo que tudo sabe sobre de seu habitat.
Galgar realizações pessoais e chegar a conquista delas é mesmo para festejar da melhor maneira de cada um. As comemorações são singulares. Marcam o encontro com a vitória. E como ela se faz depende da faixa etária da qual nos encontramos. Quanto mais jovens, mas festeiros somos.
Desde domingo quando acordei e abri meu notebook que me encontro em grande pesar. Seriam várias comemorações, ponto de encontro, marco de fim de curso, encontro de amigos, talvez o reecontro de um casal desfeito, o arrecadar para uma formatura para ficar na história de seus protagonistas, abraços, beijos, risos, dança.....ahh muita dança!! E tudo se foi. A caveira andante aproveitou o descaso de vários setores da sociedade e ceifou várias vidas bem na saída da adolescência.
Sei que não sou a única pessoa a estar triste e achando injusta o início trágico daquele domingo. Que até posso esquecer com passar dos dias, pois não tinha lá ninguém quem eu conhecesse. O que de certa forma egoísta, eu agradeço. Não consigo ver a coisa como cidadão comum, um expectador vendo um palco tão cheio de fumaças, a desolação de quem tentou tanto e por fim pareceu que fez pouco, a falta de saídas preciosas, a falta de cores, a falta de extintores para serem usados pelo instinto, o salve-se, o corra, a luz traiçoeira atraindo para o pequeno banheiro, o punhal das mensagens enviadas pelos celulares, a desesperadora certeza do fim. Eu só consigo enxergar tudo isso como mãe. Com a dor intensa de que isso tudo me traz. A perda de filhos. A morte em vida para quem fica!
Não tem como assistir a essas repostagens e não lembrar que meus filhos também se arrumam, passam perfumes e se despedem de mim dizendo: mãe, já estou indo. E com um beijo que ás vezes esquecem de dar - mas que agora nem que eu corra até o carro, ou ligue ordenando a volta, jamais ficarei sem esse beijo - e se vão. Eu me benzo e digo só para mim: Vá e volte como foi!
Fico pensando nos pais, parentes e amigos daqueles jovens que morreram no último dia 27 de janeiro de 2013 em Santa Maria no Rio Grande do Sul. E vejo que só resta a pedir por JUSTIÇA. Eles já perderam seus amados. A chama se apagou. O riso foi embora. A esperança de vê-los realizados profissionalmente foi puxado pelo tapete da irresponsabilidade que ao meu ver, a maior delas é do proprietário do local. As irregularedades que lá existentes sempre são a mando do dono. E se alguém usou um sinalizador e causou o incêndio, orientação não teve. Foi na ignorância do rapaz cantor do Sul que tudo veio à tona. A fragilidade, a falta de amor e respeito ao ser humano lá na tal Kiss.
O teto tão frágil e tão negro e tão mortal. O rapaz querendo brilhar em seu show, conhecido na região. Um filho também, mas que teve o azar de não ter em mente o quanto aquilo seria perigoso num ambiente fechado. Aqui abro um parêntese para responder àquela menina pobre de espírito que desejou que isso poderia ter acontecido em outras regiões por nelas não haverem cabeças pensantes: querida, inteligência todos temos.  Responsabilidade, Maturidade e Experiência vem com nosso caminhar. E RESPEITO, coisa  que você não tem, vem de berço! Mas em cima disso sei que há muitos de nossos irmãos do Sul que sabem da importância de todos nós. Se não podemos ajudar de longe com coisas materiais, vai emanado um universo de orações e rezas e cultos e bençãos e passes....todas as religiões se dão a mão enviando energias para acalentar essa dor que só mesmo o passar do tempo abranda.
A tragédia me causa desconforto, um ar de injustiça com os que morreram, pois poderia ter sido evitada. Alvará vencido? Mas como vencido? O local nem merecia ter recebido um alvará. Extintores de incêndio têm validades. O que aconteceu com o que tinha lá?
Não há mais nem o que dizer , nem escrever....A morte ganhou!




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